Em Lucas 18, Jesus contou a história de uma viúva que foi até um juiz injusto em busca de justiça numa questão legal. O juiz, que não temia a Deus nem se importava com os homens, acabou atendendo a viúva por causa da insistência dela. Jesus encerrou a parábola com esta aplicação no versículo 7: acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite, mesmo que demore a atendê-los?
É fácil desanimar na oração porque orar é um trabalho árduo. Em Colossenses 4:12, Paulo elogiou um homem dizendo que ele estava sempre lutando fervorosamente em oração. Paulo sabia que a oração exige esforço intenso. Também é fácil desanimar na oração porque o diabo odeia a oração. Se a oração fosse sem poder, seria muito mais fácil orar! Além disso, é fácil desanimar porque nem sempre estamos convencidos da realidade do poder da oração; muitas vezes, a oração se torna o último recurso em vez de ser o primeiro. Apesar de tudo isso, devemos sempre orar.
Na parábola, a única razão pela qual o juiz deu à mulher o que ela queria foi porque ela não parava de incomodá-lo. Na linguagem do grego antigo, o juiz reclamou que a mulher estava “espancando” ou “atormentando” ele com sua insistência — e por isso acabou atendendo ao pedido. Essa parábola tem uma abordagem singular. Obviamente, Deus não é o juiz injusto; mas, se um juiz injusto atende a um pedido persistente, quanto mais um Deus justo?
A mulher teve que superar a relutância do juiz em ajudá-la. Muitas vezes sentimos que também precisamos superar uma suposta relutância de Deus por meio da persistência. Mas isso perde o ponto da parábola. Jesus não disse que devemos orar sempre e não desanimar porque Deus é relutante, mas porque Ele não é. O que para nós parecem atrasos nas respostas à oração não são necessários para mudar Deus, mas para nos mudar. A persistência na oração traz um elemento transformador para nossas vidas, formando em nós o próprio caráter de Deus.
Algumas promessas de Deus levam muito tempo para se cumprir. Será que perseveraremos confiando em Deus? George Müller foi um notável homem de fé que dirigiu orfanatos na Inglaterra. Em um sermão que pregou quando tinha 75 anos, ele disse que, em cinquenta e quatro anos como cristão, 30 mil vezes recebeu resposta à oração no mesmo dia em que orou. Mas nem todas as suas orações foram respondidas tão rapidamente.
Müller contou sobre uma oração que havia levado a Deus cerca de 20 mil vezes ao longo de onze anos e meio, e ainda assim continuava confiando na resposta: “Espero em Deus, continuo orando e aguardando a resposta. Portanto, amados irmãos e irmãs, continuem esperando em Deus, continuem orando.”
Essa é a palavra de Deus para você hoje: continue orando, porque Deus quer que perseveremos na oração.



